Cruzar o rio…
fevereiro 6, 2019

O Poder das Mulheres no Kung Fu

Mulheres no Kung Fu Normalmente, quando o público geral pensa sobre as artes marciais chinesas, poucos consideram o papel das mulheres em sua prática e/ou desenvolvimento.

Muitos lembram de Mulan (花木蘭), a personagem da Disney, baseada na lenda chinesa contada em uma poesia, como um dos únicos exemplos de mulheres guerreiras da sociedade chinesa. Poucos sabem que muitas artistas marciais chinesas tiveram carreiras ilustres no setor civil e militar, além de serem líderes de revoltas e até piratas. Não é nenhum segredo que as mulheres na China antiga, e em certos aspectos até hoje, eram consideradas cidadãs de segunda classe. A expectativa tradicionalmente era de que as mulheres deveriam ser subordinadas aos seus pais, marido e inclusive seus filhos. Mulheres tinham um nível de educação muito inferior aos dos homens e haviam até livros instruindo mulheres de como se submeter aos homens. As vidas, e direitos, das mulheres na China começaram a mudar, aos poucos, com certas reformas durante a dinastia Qing (1644-1911), no entanto, devemos entender que, mesmo que a sociedade chinesa seja tradicionalmente patriarcal, o envolvimento de mulheres na prática, desenvolvimento e difusão das artes marciais já existia desde os primórdios da sociedade chinesa. A mulher mais importante dos primórdios da Jing Wu foi Chen Shichao (陳士超) que fortemente promoveu a participação feminina não só em artes marciais como também em outros esportes.

Na Era de Ouro do Kuoshu (1928-1937), o currículo feminino, implementado pela Academia Central de Kuoshu, tinha uma carga horária de treino e ensino similar ao do programa masculino. Nessa mesma época, vemos que equipes femininas de Dança do Leão já existem em comunidades expatriadas, como nos Chinatowns dos Estados Unidos da América. Mulheres, sejam elas de etnia chinesa ou não, devem ser incentivadas a praticar, desenvolver e difundir as artes marciais chinesas como também ser apreciadas por suas contribuições, liderança e sacrifícios ao longo do tempo para as futuras gerações de praticantes, de ambos os sexos. Lendas e mitos como Mulan, tem seu lugar para inspirar meninas e mulheres a lutar por paridade nos tempos atuais, contudo nós não devemos esquecer dessas magnificas mulheres que talharam seus caminhos pela história da China, tendo conquistas, fama e vitórias bem merecidas. Elas são produtos dos trabalhos que fizeram ao longo de suas vidas, todos (mulheres e homens) devemos admirar e respeitar esses grandes seres humanos por nos inspirar a ser melhores do que somos. “nós escrevemos o nosso próprio destino; nós nos tornamos aquilo que fazemos” Madame Chiang Kai-shek (宋美齡 – Sòng Měi Líng)